O Plano Economia Verde

“Isso é mais que a definição de metas - isso é virar o jogo.” - USGBC

 

PARTE 3: A Economia "Verde" Brasileira

 

Objetivos: Estabelecimento de metas, amplas, que funcionarão paralelamente às medidas específicas dos eventos.  Estas metas serão a base para a execução de eventos esportivos "Verdes" e podem servir como o "Grande Legado Verde" pós 2017.

  

1) Um plano de monetização, a base de mercado (estilo REDD “Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação”, ou pelo Fundo Amazônia, ou outro) é necessário para compensar proprietários e agricultores de maneira que estes irão proteger suas terras e impedir o desmatamento da Amazônia e outras matas. O objetivo é parar totalmente com o desmatamento até 2014 e começar a inverter a tendência através de reflorestamento até 2016.   55% das emissões de CO2 no Brasil, vêm de queimadas na região amazônica. Isso sozinho, coloca o Brasil entre as 5 maiores emissoras de gases de efeito estufa no mundo.  Se o Brasil quiser levar a sério a sustentabilidade e reduzir a sua pegada de carbono é necessário parar com as queimadas e o desflorestamento e começar o reflorestamento de nossas terras.  Os eventos esportivos mundias não poderão ser consideradas "verdes" se o problema do desmatamento e das queimadas não for abordado.


2) Uma mudança na Lei de Licitações N˚ 8666, ou uma nova lei por completo, para o processo de licitações públicas de projetos de infra-estrutura é necessário.  As licitações públicas são ganhas normalmente pela construtora que oferecer construir o projeto pelo menor preço, ou seja o menor custo da obra para o governo.  Isto tem criado um longo histórico de projetos mau executados, de baixo nível técnico, e que acabam custando muito mais a longo prazo. Seria necessario criar uma nova lei que premiasse os projetos, por um critério básico de menor preço a longo prazo, onde não só o custo da obra mas também o custo da manutenção (sugerimos 10 anos como base) fosse calculado.   A modelagem computadorizada, da demanda energética dos edifícios, tem progredido, de tal forma que pode-se calcular com uma boa probabilidade a eficiência do edifício a longo prazo.  Esta consideração é crítica para o desenvolvimento de edificações mais sustentáveis e econômicas.  Vincular estes projetos à certificação LEED (que serviria de auditora independente, para a construção sustentável) e oferecer condições preferenciais de financiamento pelo BNDES e outros bancos, ligado ao nível de certificação, melhoraria consideravelmente a qualidade da infra-estrutra brasileira e o custo a longo prazo de manutenção, sem falar do impacto ambiental dos edifícios.


3) Novas leis para o setor de construção civil devem incorporar e adaptar de maneira constante às novas tendências da construção sustentável pelo mundo.  Tais normas transformarão a maneira em que projetos são concebidos, melhorará técnica da construção e ajudará no fornecimento de materias mais avançados para o setor.  A evolução do mercado e o retorno sobre o investimento para materiais mais avançados somente ocorrerá se for claro o rumo do mercado.  Para isso é necessário que o governo demonstre uma visão das futuras metas para o setor.  Esta prática trará maior visibilidade para o mercado a longo prazo e incentivará o investimento.


4) A adoção de um plano agressivo para atrair investimentos para o setor de energia limpa, renovável, começaria com a ratificação do tratado IRENA (Agência Internacional de Energia Renovável) por parte do governo brasileiro.  Esta nova agência criada em janeiro de 2009 é o primeiro orgão global que irá estudar e ajudar na definição de política para o setor de energias renováveis a nível mundial.  Muitos países, têm a postura séria sobre investir em energia renovável.  Brasil é líder mundial na produção de energia não fóssil, devido à sua capacidade de geração instalada de grandes hidrelétricas (76% da carteira total de eletricidade) e a produção em grande escala do Etanol a base da cana de açucar para o setor automobilístico.  O Brasil precisa começar a competir a nível mundial em outros setores de energias renováveis como no setor de energía eólica, solar e marítima (ondas e correntes); fontes energéticas que são muito mais promissoras do que a energia hidrelétrica que é limitada.  O Brasil tem riqueza natural para estes setores com uma costa extensa, sol abundante e bons corredores de vento. Por sorte, meses de baixa pluviosidade (mais fraca produção hídrica), também são mêses que mais ventam no Brasil, oferecendo boas sinergias entre a energia hidrelétrica e eólica.  Operações paralelas podem oferecer uma carteira de energia limpa superior ajudando a preservar os níveis dos reservatórios e reduzir o risco sistêmico da matriz (secas e apagões.)  Por isso a política brasileira deveria ser de não apenas ratificar este tratado mas também de ser líder do orgão com a postura de tentar atraír o investimento destes novos setores para o Brasil.  Esta é uma tecnología que queremos dominar pois será um mercado enorme no futuro e trará empregos “verdes” e prosperidade para o setor.


5) Ainda assim, um plano de expansão responsável para as hidrelétricas de baixo impacto (eletricidade) e do etanol (combustível para o automóvel) é necessário durante esta transição para as novas fontes renováveis.  Porém uma regulamentação mais eficaz é necessária na plantação e coleta sustentável da cana de açucar por fazendas certificadas.  O desmatamento e poluição dos manancias relacionado a esta fonte de energia não pode ser permitido.


6) Descentralização da produção e distribuição de energia é necessária para atender ao crescimento de demanda energética, melhorar a eficiência, e incentivar a produção de energia privada no mercado.  O futuro da geração de energia elétrica está nas usinas renováveis de pequeno porte perto do local onde ela será utilizada.  Os custos de implantação de tecnologias renováveis para empresas, edifícios, e até domicílios estão baixando e em breve muitos poderão não só gerar grande parte de sua própria energia (de maneira sustentável) mas também, deveriam poder vender o excesso para a rede elétrica. Isso não só diminuirá a necessidade do investimento público em novas usinas (possivelmente sujas), mas, também, na transmissão energética de longa distância e tornará a matriz mais estável e segura com uma menor dependência em uma sequer fonte.  Isto diminuirá as incidências de apagões e a necessidade do racionamento.  Para isso é necessário uma legislação dê apoio a "descentralização" da matriz energética.


7) Término imediato do desenvolvimento de qualquer usina nova que utiliza energia fóssil, como as termelétricas, incentivado pelo "Plano Decenal," é necessário.  Estas operações vão contra o caminho do futuro.  Alternativas com uso de usinas renováveis existem, e são viáveis pelo setor privado com o incentivo do governo adequado.  Para as termelétricas que gerão energia queimando o carvão e que já estão em funcionamento, acreditamos que estas devem se tornar laboratórios de pesquisa de técnicas de captura de carbono, como na utilização de tanques de algas para converter os gases emitidos em oxigênio.  As cinzas, um resíduo do processo de queima de carvão, deve ser misturado com concreto e não depositado em aterros.  Além disso, um programa de intercâmbio de conhecimento tecnológico deve ser desenvolvido com as economias que empregam o uso pesado dessa forma de energia, como os Estados Unidos e a China, de modo que os cientistas brasileiros possam ajudar a minimizar o impacto que a queima do carvão tem no meio ambiente.


8) O desenvolvimento e a produção de um motor elétrico brasileiro, até 2013, que poderá substituir o motor a gasolina e a álcool para automóveis que viajam poucos quilômetros diários.  Incentivos financeiros podem ser criados para a recarga das baterias destes veículos à noite, quando a demanda por energia está no seu ponto mais baixo e grande parte da eletricidade gerada pelas hidrelétricas é desperdiçada.  O Brasil pode e deve ter a frota de automóveis mais limpos do mundo, porque a eletricidade utilizada para abastecer estes veículos pode ser obtida por fontes renováveis (atualmente as hidrelétricas.)  Este não é o caso dos outros grandes países do mundo onde os carros elétricos são abastecidos por tomadas com eletricidade vindo das termelétricas de carvão ou do gás natural.  Como um todo, a geração adicional desta energia suja, fóssil, pode ser até pior que a queima da gasolina ou do etanol em um carro convencional.  O Brasil, já na frente, tem a grande oportunidade de disparar na liderança mundial com o carro elétrico, se posicionando como o país que transporta a sua população da maneira mais eficiente e menos poluente no mundo.  Esta oportunidade deveria inspirar os engenheiros brasileiros para que sejam feitos avanços no que se refere ao motor elétrico brasileiro.  Teríamos então no futuro, a indústria automobilística mais avançada do planeta.


9) Um plano de investimentos federais, pode ajudar motoristas de automóveis e caminhões de baixa renda a substituirem os seus transportes altamente poluentes por carros e caminhões mais eficientes, econômicos e menos poluentes.  Este financiamento, pode ajudar a reduzir o custo mensal do combustível para indivíduos, famílias e empresas e ao mesmo tempo melhorar a qualidade do ar para todos.  Novos empregos "Verdes" devem ser criados para o desmonte e a reciclagem em massa desta frota de veículos e caminhões nas estradas brasileiras.


10) Um sistema de transporte ferroviário moderno de ligação entres os principais centros econômicos na parte sul do país é necessário, principalmente ligando o Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campinas, São Paulo, Florianópolis e Porto Alegre.  Isso aliviaria, de maneira significativa, o trânsito de caminhões nas rodovias, melhoraria a segurança para veículos nas estradas, e reduziria de maneira drástica as emissões relacionadas ao transporte de mercadorias e do comércio no Brasil. 


11) Uma rede ferroviária de trens de alta velocidade para passageiros na parte sul do Brasil também está em falta.  Um "trem bala" ligando Rio de Janeiro, Campinas e São Paulo já esta em fase de planejamento e a execução desse projeto antes de 2016 aliviaria o tráfego nos aeroportos e reduziria de maneira significativa a poluição associada ao transporte aéreo.


12) Um fundo educacional voltado especificamente para o desenvolvimento de habilidades na area de tecnologia voltada a energia limpa e sustentável para os jovens cientistas brasileiros é de extrema importância.


13) Defesa do consumidor de produtos químicos tóxicos utilizados em alimentos e produtos de consumo é necessário no Brasil.  Incentivos para alimentos orgânicos é essencial. 


14) Um programa de certificação de agricultura sustentável para todas as fontes de alimento de forma que o desmatamento pode ser controlado (por exemplo gestão de plantações de soja na região Amazônica) é necessário.  Esta certificação precisa garantir o não uso de produtos químicos e também a proteção dos mananciais.

 

15) Um plano de revitalização do litoral brasileiro e nas águas adjacentes, começando pelo tratamento de esgotos.


16) Uma iniciativa de pesquisa em programas de captura de carbono atmosférico e oceânicas.

 

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